terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Poder e posturas

Como seres sociais, vivemos permanentemente avaliados pelos outros. Assumimos determinados papéis e responsabilidades sociais desde a nossa casa. A partir dos valores que vivenciamos em nossas casas, vamos desenvolvendo habilidades e competências, na permanente relação com os outros. Daí surgem também nossas habilidades técnicas e profissionais. O que também vamos construindo são as nossas posturas diante da nossa vida, diante dos outros e diante do mundo.

A vida em sociedade é regida por relações de poder. Ora somos subordinados a ele, ora somos detentores de um poder que nos foi delegado pelos outros. Gostemos ou não, vivemos numa constante dinâmica de alteração dos poderes. O poder, este fenômeno tão efêmero e contingente, provoca em muitos de nós a vivência da arrogância, numa forte alusão à expressão máxima que diz que quando "se quer conhecer verdadeiramente alguém, dá-lhe poder".

Muitos de nós galgamos espaços sociais que devem estar a serviço do bem-comum e da coletividade. Atuando de forma cidadã, crítica e atuante em organizações da sociedade, nos habilitamos a contribuir para a consecução de políticas públicas em nossas cidades. Esta bagagem (intelectual e cultural) resulta de acúmulo pessoal, mas também é aprendida através da humildade, inteligência, perspicácia e trabalho em equipe. Quando assumimos responsabilidades públicas, sobressaem-se as nossas posturas nas lides e no tratamento com as pessoas que nos procuram como mediação para a solução de seus problemas. Não basta ser competente, é preciso também ter posturas condizentes com os valores da democracia, direitos humanos e respeito à cidadania.

Numa sociedade democrática, como deve ser a nossa, não há idéia mais sensata senão a do poder como um serviço. Estar a serviço dos outros significa disponibilizar nossos conhecimentos e habilidades pessoais para os avanços e conquistas democráticas da coletividade. Seremos democráticos, e prestaremos um bom serviço à comunidade, se capazes de romper posturas já cristalizadas em torno do nosso ego e de nossos interesses estritamente pessoais.

O que somos é resultado de investimentos pessoais e coletivos, também de nossas escolhas. Eduardo Galeano, escritor uruguaio, afirma que "somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos". Se os outros nos julgam e avaliam, deveríamos ser os maiores críticos de nós mesmos. Competências, nós as temos ou construímos. Resta saber quais colaboram com nossa condição de aprendentes e ensinantes: da vida, da cidadania e da democracia.

Como vimos, competências e posturas mexem com as nossas concepções de poder, exercidas em nossa casa, na rua, na escola, no trabalho ou no serviço público (funcionários públicos, vereadores, secretários ou prefeitos). O mundo produziu e experimentou várias concepções de poder, autoritárias ou liberais. Mas Jesus Cristo viveu a práxis (teoria e prática) de sua concepção de poder de forma rica, intensa e coerente. Jesus disse: "Eu vim para servir, não para ser servido". E viveu na prática sua concepção de poder ao lavar os pés de seus apóstolos na noite de sua última ceia, numa clara demonstração de que estava no meio deles como mais um colaborador de uma obra coletiva.

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